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Principais achados científicos referentes à relação entre a exposição ao Bisfenol A e o processo carcinogénico no cancro da mama     
  • Ana Ferreira,
  • Mariana Almeida,
  • Maria Fraga
Ana Ferreira
University of Aveiro
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Mariana Almeida
University of Aveiro
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Maria Fraga
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Abstract

O  Bisfenol A  (BPA) é um composto aromático largamente utilizado na produção industrial de artigos plásticos. A sua presença em objetos usados no quotidiano, como latas de comida ou garrafas de água, tem gerado preocupação nos últimos anos, pois, sob determinadas condições, este pode ser libertado para o meio e entrar no organismo. Este composto é considerado um disruptor endócrino, uma vez que, dada a sua semelhança estrutural, é capaz de mimetizar as ações do estrogénio no organismo. Diversos estudos baseados em modelos animais e culturas celulares têm vindo a relatar as suas propriedades carcinogénicas ao nível do cancro da mama, esta que é a neoplasia mais frequente em mulheres, afetando mais de dois milhões mundialmente. 
Os mecanismos pelos quais o BPA está envolvido na tumorogénese podem ser exercidos através de alterações epigenéticas e modificação de vias celulares, provocando efeitos nas células estaminais presentes na glândula mamária, bem como alterações histológicas na mesma. De entre os seus efeitos, destacam-se o aumento da proliferação celular, diminuição da expressão de proteínas de adesão, alteração da expressão de genes que codificam reguladores do ciclo celular ou supressores de tumor e a promoção da invasão e metastização. 
Conjuntamente, as alterações decorrentes da exposição ao BPA aumentam o risco de desenvolvimento de cancro da mama. Embora muitos mecanismos ainda não estejam compreendidos, com este artigo pretende-se combinar os conhecimentos atuais acerca do modo como o BPA  influencia o processo carcinogénico do cancro da mama, através da sua ação no recetor de estrogénio.